Certa vez, conversando com Maria Valéria Rezende, ela me contou sobre a reescrita de alguns dos seus livros. Trechos que gostaria de alterar (e alterou), cenas etc. Agora, a escritora avançou um pouco mais: a obra alheia. Seu Recapitulações (Editora 34, 88 p.) é uma coletânea de contos afinada sob esse entusiasmo.
Recapitulação significa retomar ou reinscrever temas, motivos, acontecimentos já postos, com intenção de gerar um novo sentido estético. É diferente de uma simples repetição ou adaptação ou, ainda, algo como essas tolas “atualizações” e simplificações que andaram fazendo por aí. A recapitulação configura uma releitura: o que retorna não é idêntico ao que havia antes. Mas refletido ou obscurecido sob outras condições de luz, carregado por uma experiência narrativa nova, diferente. Claro, quando lemos o trecho de uma obra qualquer, já não estamos diante do texto ele mesmo, tal e qual escrito pelo autor. Porque a leitura é já o resultado de uma nova luz sobre o texto.
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