No seu posfácio para A divina mimesis, Cláudia Tavares Alves afirma que pensou e realizou a tradução do texto de Pier Paolo Pasolini como um gesto político, “acreditando que na linguagem continuamos a existir, sobretudo na tentativa de nos reconhecermos e de conhecermos de novo o mundo ao nosso redor”.
A afirmação passa longe do subterfúgio, típico da nossa época, de imputar natureza e repercussão política a qualquer atividade (ou mesmo à ausência dela). De fato, a escolha, tradução e publicação de A divina mimesis feitas por Claudia dão ao leitor brasileiro uma oportunidade valiosa para refletir a respeito das relações entre literatura e política em nosso tempo – que, diga-se, é ainda o tempo de Pasolini.
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