A casa mantém a nobreza das coisas maiores.
Não importa o recuo nas bordas, o mato
que antes era o gato imaginado.
É das pequenas coisas que os mascates se fazem:
da rua cujo nome não sabia ser por ela,
da língua e seu tambor de cordas amarradas.
Na casa as baratas se comem, revisitam
seus lugares, sentem falta dos rapazes
e dos carnavais na praça esganiçada.
Um poeta lhe dissera que Rimbaud
assinaria G.H., que todo inferno
é uma duna no escuro dos armários.
Agora a casa se prepara para um novo
inverno, na praça em frente as travestis
ignoram a imperatriz do ginásio: seu olhar
é sua língua que se vinga na palavra.