Um jogo à moda Stêvz

O artista encontra assim sua liberdade criativa em um sistema de regras restritivas de composição. Esse é o seu caráter experimental

ADVERTÊNCIA: Este perfil pode ser lido de algumas maneiras, são elas: 1. o modo em sequência habitual, ou seja, ler o texto ignorando a numeração; 2. seguir a numeração indicada; 3. ler primeiro os números ímpares, em seguida os pares; 4. ou vice-versa. Decerto, há outras leituras possíveis, ficando assim o leitor à vontade para ignorar qualquer regra anterior.

2. O autor de livros
Para se compreender a obra de Stêvz, há uma distinção entre de escritor de texto e escritor de livro que pode nos ajudar a entender as linhas de força que o poeta articula. Para Ulisses Carrión, o escritor de texto reside na anterioridade do livro, mas não no resultado final do livro propriamente dito. Ele escreve e é seu autor, é responsável pelas palavras, argumentos, mas não pela materialidade expressiva e efetiva do texto. Para Carrión, alguns poetas tomam para si a missão de fazer poemas com a página: a tipografia, as linhas, as entrelinhas, os espaços em branco. A dimensão gráfica é também poética. Stêvz é esse tipo de poeta, para quem a poesia não termina na palavra falada, nem na escrita, mas na impressão, no papel, na distribuição dos elementos e cores de uma página dupla. Mallarmé, sem dúvida, é uma das imagens mais brilhantes desse poeta-designer. Trabalho continuado por muitas tradições da poesia moderna e que permanecem um amplo espaço para a experiência poética. Aqui, faz-se necessária a referência ao construtivismo dos irmãos Campos e Décio Pignatari. O verso é uma experiência verbivocovisual. Deve possibilitar jogos que vão do significado ao som, passando pelo arranjo das estrofes até a imagem final da página. Todos os elementos são poéticos e qualquer alteração em um deles faz com que a máquina produza novos efeitos de sentido.

CONTEÚDO NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO IMPRESSA

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