Uma imersão desafiadora

Morador antigo do Bairro da Boa Vista, ilustrador Greg visitou o universo de Clarice Lispector para desenhar, com sobriedade mágica, a HQ "Pedra d’água"

Na HQ Pedra d’água uma jovem pesquisadora parte em uma jornada para encontrar os resquícios e o legado de Clarice Lispector no Recife (ou, em certa medida, um outro Recife a partir do olhar da escritora de Água Viva e Perto do coração selvagem). Ao longo da investigação, o que vemos é também uma autodescoberta, um salto não planejado para dentro de subjetividades ainda pouco exploradas. Mais do que uma homenagem literal a Clarice, ou uma reconstrução convencional da sua infância na capital pernambucana, o quadrinho vai revelando mais camadas ao contar essa história a partir de uma perspectiva contemporânea.

Assinada pela escritora Clarice Hoffmann e pelo desenhista e artista plástico Greg, a HQ promove essa imersão dentro do Recife de Clarice, com referências à obra da autora, mas também apresenta como contraponto uma outra cidade, que se impôs caótica àquela registrada pela autora. Greg, assim como Esther, vivenciou essa imersão. O autor estava morando no bairro da Boa Vista ao desenhar a HQ. E, também como ela, passava por uma transformação. “Eu tinha acabado de me divorciar, o meu antigo prédio tinha inundado por causa da chuva e era época de pós-pandemia. Aí eu acabei me mudando para um lugar próximo de onde ela viveu, ou seja, o ambiente que eu estava desenhando”, relembra Greg. “Foi uma experiência interessante, mas desafiadora. Eu acordava e saía andando pela Rua 7 de Setembro, a Rua da Imperatriz, os becos, saía desenhando. Acabei vivendo uma imersão, quase uma residência artística, mas de uma forma não planejada”. Nascida na Ucrânia, na pequena aldeia Tchetchelnik, Clarice Lispector morou no Recife dos cinco aos 14 anos de idade, quando se mudou com a família para o Rio de Janeiro.

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