A leitura da obra de Clarice Lispector, ao longo do tempo, revela uma das histórias mais curiosas da literatura brasileira do século XX. Poucos escritores no Brasil reuniram tanto prestígio. Mas, até que ponto o entusiasmo em torno de sua obra impede uma avaliação mais equilibrada?
O consenso de admiração parece sustentado mais pela reverência à figura do que pelo debate crítico efetivo.
Desde a estreia, com Perto do coração selvagem, há 82 anos, sua escrita foi vista como uma ruptura na prosa brasileira. A crítica reconheceu, de imediato, o impacto dessa narrativa voltada para a experiência interior das personagens. Alguns, como Antônio Candido, contudo, já observavam que essa escolha poderia afastar a narrativa de conflitos sociais mais amplos.
Lucia Miguel Pereira, numa reportagem publicada no Diario de Pernambuco, em 10 de dezembro de 1944, disse, respondendo a Homero Senna, em “Vida, opiniões e tendências dos escritores”: “E o romance, que rumos tomará no futuro? Acha que depois da guerra aparecerá sob novas formas, ou, de um modo geral, permanecerão os figurinos atuais?”
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