Nossa Clarice

A vida e a obra se confundem para satisfazer os anseios do público. O “eu” é o verme que corrói incessantemente, e nunca fica satisfeito

Quando um autor atinge a consagração? Quando podemos afirmar que foi canonizado? Parece não haver dúvida quanto ao caso de Clarice Lispector (1920-1977), cuja fama dá sinais de incremento, quase meio século após sua morte. A história da literatura, com maiúsculas ou sem elas, tende a nos dizer que, quando a vida do escritor chama a atenção tanto quanto sua obra, aproxima-se a consagração. E quando a morte aparece prematura, ainda que não exista um Club 27 como o do rock, podemos aumentar a aposta e esperar, com certa tranquilidade, que, de fato, a canonização não tardará.

No entanto, não são apenas questões de vida ou morte que influenciam o lugar concedido a um autor, nem assuntos que surgem da vida que ele teve, com todos os seus acidentes. A aceitação, o status e a eventual canonização ligam-se, intimamente, à sociedade em que ele se move e dialoga, e no seio da qual sua obra está depositada, na eternidade que começa a se subsumir na Eternidade imutável. É o que salta à vista em relação à vida, à figura e à obra de Lispector.

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