Duas irmãs: o caso Lispector

A personalidade marcante e a força criativa de Clarice ofuscou a obra singular e premiada da irmã Elisa, que volta em reedição

Há anos, a trajetória de Elisa Lispector me desafia. Por que uma escritora tão singular, premiada e reconhecida nas décadas de 1950 e 1960, foi se apagando aos poucos, como lua minguante? A maioria de seus livros estagnou na primeira ou segunda edição e nem mesmo a questão da independência feminina, pungente em sua obra, em voga no movimento da contracultura e tão atual, a salvou do esquecimento. Elisa parece repetir a sina do protagonista de seu primeiro romance, um atormentado escritor que não consegue se firmar no mercado editorial. O registro de sua morte na imprensa expressa de forma emblemática o destino melancólico que o panteão das Letras lhe reservou. Coube-lhe uma breve nota, engolida pelas matérias e manchetes sobre a missa de sétimo dia de famosos vitimados pelo naufrágio do Bateau Mouche na Baía de Guanabara, no réveillon de 1988. Um flash de seu abandono.  

Em 2005, houve uma segunda edição do livro autobiográfico No exílio, mas a venda fraca desestimulou a gerente editorial a relançar O muro de pedras, que havia notabilizado Elisa com dois prêmios relevantes, pela editora José Olympio (1963) e pela Academia Brasileira de Letras (1964). Em boa hora, o romance retorna às livrarias em 2025, pela Record, com capa moderna, orelha de Jeferson Alves Masson, um de seus mais persistentes estudiosos, e prefácio de Nadia Battella Gotlib, responsável pela organização póstuma de Retratos antigos – esboços a serem ampliados (2012), que Elisa havia deixado inacabado. 

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