Demorou mais de três décadas para que, finalmente, o Prêmio Literário Biblioteca Nacional incluísse a crônica entre suas categorias. O Prêmio João do Rio entra em vigor a partir da edição de 2026. Agora são 13 categorias. O valor da premiação é de R$ 30 mil, para os vencedores de cada uma.
Esta é a quarta categoria incorporada ao prêmio pela gestão do poeta Marco Lucchesi, à frente da Fundação Biblioteca Nacional desde 2023, que havia criado as categorias Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli); Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen); Ilustração (Prêmio Carybé). “João do Rio é uma das grandes vozes da crônica brasileira. Seus olhos alcançaram o Brasil profundo e plural. E a Biblioteca Nacional é um símbolo forte que atravessa a sua vida e a sua obra”, afirma Lucchesi.
As 13 categorias do Prêmio Literário Biblioteca Nacional passaram a ser: Conto (Prêmio Clarice Lispector); Crônica (Prêmio João do Rio); Ensaio Literário (Prêmio Mario de Andrade); Ensaio Social (Prêmio Sérgio Buarque de Holanda); Histórias de Tradição Oral (Prêmio Akuli); Histórias em Quadrinhos (Prêmio Adolfo Aizen); Ilustração (Prêmio Carybé); Literatura Infantil (Prêmio Sylvia Orthof); Literatura Juvenil (Prêmio Glória Pondé); Poesia (Prêmio Alphonsus de Guimaraens); Projeto Gráfico (Prêmio Aloísio Magalhães); Romance (Prêmio Machado de Assis); Tradução (Prêmio Paulo Rónai).
JOÃO DO RIO
Primeiro grande cronista moderno do Brasil e tradutor da alma carioca na Belle Époque, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, o João do Rio (1881–1921), desafiou as convenções de sua época com uma elegância que unia o refinamento dos salões ao fascínio pelo submundo.
Homem negro, dândi e abertamente homossexual, foi um dos mais jovens e populares membros da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 1910, ele deu voz aos invisíveis — tatuadores, mendigos e presidiários — elevando o cotidiano ao status literário, em clássicos como A alma encantada das ruas.
João do Rio foi pioneiro ao tratar as religiões de matriz africana com olhar sociológico em As religiões no Rio e explorou o gótico e o perverso em contos de tons decadentistas, como em Dentro da noite. Não escrevia apenas sobre a cidade; ele a vivia intensamente, morrendo precocemente de um ataque cardíaco dentro de um táxi, em pleno movimento urbano.