Em ano de homenagem à poetisa Orides Fontela, Flip aposta em autores consagrados e premiados

Entre os principais nomes da 24ª edição, que começa no dia 122, est]ap Zadie Smith, Wole Soyinka, Andrei Kukor, Ana Paula Maia e Angela Davis

A Flip 2026, 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty, já tem data confirmada: acontecerá entre 22 a 26 de julho, transformando a cidade em um dos maiores pólos da literatura no Brasil. Tendo como homenageada a poeta paulista Orides Fontela, que será foco de várias mesas de debate -  além do relançamento de sua obra - a  festa  reúne autores, leitores e artistas de diversas áreas, em um ambiente de troca, reflexão e celebração da palavra. 

Entre as atrações internacionais está Zadie Smith, uma das vozes mais influentes da literatura britânica contemporânea, que participa de uma mesa dedicada à ficção como instrumento de crítica cultural. Do Leste Europeu, o ucraniano Andrei Kurkov traz a experiência de escrever em meio à guerra. Autor de A morte e o pinguim, Kurkov examina a instabilidade política e o papel do escritor diante de conflitos que moldam a vida civil, refletindo sobre o absurdo como estratégia narrativa e sobre a literatura como forma de resistência.

 A África marca presença com força. Wole Soyinka, Nobel de Literatura, participa de debates sobre liberdade, democracia e arte, articulando a tradição oral africana com a modernidade literária. Sua participação reforça a dimensão política da Flip, que nesta edição se volta para temas de instabilidade global e para o papel do intelectual em sociedades em crise. 

A angolana Ana Paula Tavares, vencedora do Prêmio Camões, discute poesia africana contemporânea, território e ancestralidade. Sua obra, marcada por uma relação profunda com a memória e o corpo, dialoga diretamente com a proposta curatorial de pensar a palavra como gesto de resistência. 

Já o cardeal e poeta José Tolentino de Mendonça oferece uma perspectiva singular sobre espiritualidade e escrita, explorando o silêncio, a contemplação e a palavra como forma de oração — uma aproximação evidente com a poética de Orides Fontela.

Entre os brasileiros, a Flip reúne nomes que atravessam literatura, política, ciência e filosofia. A ministra Cármen Lúcia participa de uma mesa sobre democracia e linguagem, examinando como a palavra estrutura a vida institucional e o debate público. Sua presença reforça a vocação da Flip para discutir temas que ultrapassam o campo estritamente literário. 

Drauzio Varella, médico e escritor, aborda a relação entre humanismo e ciência, aproximando literatura e saúde pública e refletindo sobre a escrita como ponte entre mundos. Milton Hatoum revisita sua trajetória literária para pensar memória, política e Amazônia, articulando ficção e história recente do Brasil. Edimilson de Almeida Pereira, poeta e ensaísta, discute território, identidade negra e ancestralidade, ampliando o campo da poesia contemporânea brasileira.

A ficção nacional também ganha espaço com Andréa Del Fuego, que explora memória familiar, misticismo e interioridade, e Bethânia Pires Amaro, cuja obra investiga corpo, silêncio e ruptura. Nas casas parceiras, a programação paralela se expande com nomes como Conceição Evaristo, que retoma sua concepção de “escrevivência” para pensar literatura negra e memória; Djamila Ribeiro, que discute feminismo negro, racismo estrutural e políticas públicas; e Eliana Alves Cruz, que aborda história afro-brasileira e narrativas de resistência. Esses encontros, realizados fora do circuito oficial do Auditório da Matriz, reforçam a vocação da Flip para acolher múltiplas vozes e expandir o debate literário para além das mesas principais.

Além da programação principal, a cidade também conta com programações independentes e paralelas, como a Flipinha (voltada para o público infantil), a FlipMais (com debates e palestras extras), a Off Flip e outros projetos que enriquecem ainda mais a experiência. Paraty, no período, respira cultura com dezenas de atividades, incluindo lançamentos de livros, rodas de conversa, feiras, exposições e intervenções artísticas abertas ao público. É também uma ótima oportunidade para conhecer novas editoras, autores independentes e movimentos culturais de diferentes regiões do país

 

ATRAÇÕES INTERNACIONAIS — PERFIS E TEMAS

 

Zadie Smith (Reino Unido) 

Autora de Dentes brancos, Sobre a beleza e Fraude, uma das vozes mais influentes da ficção contemporânea. Sua escrita mistura humor, crítica social, multiculturalismo e reflexões sobre identidade. 

Tema na Flip: 

- A ficção como ferramenta crítica 

- Humor e ironia na literatura contemporânea 

- Tensões culturais e identitárias no século XXI 

  

 Andrei Kurkov (Ucrânia) 

Romancista e cronista político, autor de A Morte e o Pinguim. Sua obra explora o absurdo, o cotidiano e os efeitos da guerra na vida civil. 

Tema na Flip: 

- Literatura em tempos de conflito 

- Instabilidade política e o papel do escritor 

- Narrativas do leste europeu e o humor como resistência 

 

 Wole Soyinka (Nigéria) — Nobel de Literatura 

Poeta, dramaturgo e ativista político. Primeiro africano a receber o Nobel de Literatura (1986). 

Tema na Flip: 

- Liberdade, democracia e arte 

- Tradição oral africana e modernidade 

- O papel do intelectual em sociedades em crise 

 

Angela Davis (Estados Unidos) 

Filósofa, ativista e referência global em debates sobre raça, gênero e sistema prisional. 

Tema na Flip

- Justiça racial e democracia 

- Feminismo negro e resistência 

- Movimentos sociais contemporâneos 

 

  Ana Paula Tavares (Angola) — Prêmio Camões 

Poeta e historiadora, autora de Manual para amantes desesperados e A cabeça de Salomé. Sua obra é marcada pela ancestralidade, território e memória. 

Tema na Flip: 

- Poesia africana contemporânea 

- Corpo, território e história 

- Ancestralidade como forma de resistência 

 

 

 

 José Tolentino de Mendonça (Portugal/Vaticano) 

Poeta, ensaísta e cardeal. Sua obra explora espiritualidade, silêncio e contemplação. 

Tema na Flip: 

- A escrita como forma de oração 

- Silêncio, interioridade e poesia 

- Espiritualidade na literatura contemporânea 

 

BRASILEIROS — PERFIS E TEMAS

 

 Cármen Lúcia 

Ministra do STF, autora de textos sobre democracia, linguagem jurídica e direitos fundamentais. 

Tema na Flip: 

- Democracia e linguagem 

- Justiça como narrativa pública 

- O papel da palavra na vida institucional 

 

 Drauzio Varella 

Médico, escritor e divulgador científico. Autor de Estação Carandiru e Por um fio. 

Tema na Flip: 

- Humanismo e ciência 

- Escrita como ponte entre medicina e sociedade 

- Narrativas sobre saúde pública 

 

 Milton Hatoum 

Um dos maiores romancistas brasileiros contemporâneos. Autor de Dois Irmãos, Cinzas do Norte e A Noite da Espera. 

Tema na Flip: 

- Memória, política e família 

- Amazônia como território literário 

- Ficção e história recente do Brasil 

 

 Edimilson de Almeida Pereira 

Poeta, ensaísta e professor. Sua obra explora identidade negra, território e espiritualidade. 

Tema na Flip: 

- Poesia afro-brasileira 

- Território, corpo e ancestralidade 

- Linguagem como resistência 

 

 Andréa Del Fuego 

Romancista e contista, autora de Os Malaquias (Prêmio Saramago). 

Tema na Flip: 

- Ficção e memória familiar 

- Misticismo e interioridade 

- Narrativas de formação 

 

 Bethânia Pires Amaro 

Poeta e pesquisadora, com foco em linguagem, corpo e política. 

Tema na Flip: 

- Poesia contemporânea brasileira 

- Corpo e escrita 

- Silêncio e ruptura 

 

 Conceição Evaristo 

Romancista, poeta e ensaísta. Autora de Ponciá Vicêncio e Olhos d’Água. 

Tema nas casas paralelas: 

- Escrevivência 

- Literatura negra e memória 

- Mulheres negras na literatura brasileira 

 

 Djamila Ribeiro 

Filósofa e escritora, autora de Pequeno Manual Antirracista. 

Tema nas casas paralelas: 

- Feminismo negro 

- Racismo estrutural 

- Educação e políticas públicas 

 

 Eliana Alves Cruz 

Romancista e ensaísta, autora de Água de Barrela e O Crime do Cais do Valongo. 

Tema nas casas paralelas: 

- História afro-brasileira 

- Ficção histórica e memória 

- Narrativas de resistência 

 

EIXO CURATORIAL — ORIDES FONTELA 

A autora homenageada permeia toda a Flip 2026. 

Temas ligados a ela nas mesas: 

- Silêncio, concisão e rigor formal 

- Filosofia e poesia 

- Imagem, abstração e pensamento 

- A palavra como gesto de resistência 

- Releituras contemporâneas de sua obra