Em fins de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, Clarice Lispector que, à época, tinha 23 anos, publica o seu primeiro romance: Perto do coração selvagem. O livro causa um impacto no cenário intelectual brasileiro. E não poderia ser diferente.
Primeiro, porque passada a fase heroica do Modernismo dos anos de 1920, com seus romances experimentais – a exemplo de Macunaíma, de Mário de Andrade, e Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade –, a década seguinte vai se singularizar pelo surgimento da moderna literatura regionalista, manifesta nos mais distintos estados e regiões do Brasil, escrita por escritores que perseguiam temáticas, formas e estilos diversos, como José Lins do Rego, Jorge Amado, Amando Fontes, Abguar Matos, Raquel de Queirós, Graciliano Ramos, José Américo de Almeida e Érico Veríssimo. Segundo, para aquele brasileiro que, até então, educara a sua sensibilidade e o seu conhecimento sobre os fatos e os feitos brasileiros lendo autores românticos, realistas e naturalista do século XIX, a literatura regionalista revelava não somente uma linguagem moderna, antirretórica, mas também uma abordagem que desdenhava das teorias deterministas, evolucionistas e positivistas para explicar o Brasil. Agora, a psicanálise, o materialismo dialético e a antropologia culturalista eram as ferramentas para se ler a realidade social, econômica, política, religiosa e cultural que formavam os vários brasis.
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