Em Clarice Lispector obra e pessoa se confundem. Ambas são enigmáticas, belas e surpreendentes, provocando nos que se aproximam uma sensação hipnótica e inquietante. Clarice fala tudo sobre o aparente nada, desvenda mistérios, amalgama sonho e realidade e faz da palavra, meio e fim, ao mesmo tempo. Fatos do quotidiano ou inquietações metafísicas surgem, de forma cristalina, como se jorrassem sem qualquer esforço, de uma fonte pura e permanente.
Ler Clarice é penetrar nos mistérios da alma, notadamente da alma feminina. Suas personagens são projeção do seu mundo interior e, ao que parece, acompanham suas mudanças de vida, transformadas em criaturas cheias de mistérios, dualidades, contradições. Crescem, amadurecem e envelhecem com ela.
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