A escritora Ana Miranda consolidou-se ao articular ficção e história. Conhecida por obras como Boca do Inferno, em que recria a vida e o contexto do poeta barroco Gregório de Matos, ela desenvolveu uma escrita marcada pela pesquisa e por uma linguagem que dialoga com diferentes épocas. No romance Clarice, publicado em 1999, esse projeto literário atinge um ponto singular, ao voltar-se para uma das figuras mais enigmáticas da literatura brasileira.
Diferentemente de uma biografia tradicional, Clarice é uma obra híbrida, que mescla ficção, ensaio e recriação poética. Ana Miranda constrói uma narrativa que busca não apenas recontar a trajetória da autora de A hora da estrela, mas também penetrar na atmosfera íntima de sua escrita. O romance se organiza como uma espécie de mosaico, em que episódios da vida de Clarice, sua infância, sua experiência como estrangeira, a maternidade e o reconhecimento literário aparecem filtrados por uma linguagem lírica e fragmentária, em sintonia com o próprio estilo clariceano. A autora explica a origem do livro:
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