A face mais pernambucana do curitibano Paulo Leminski estará em destaque em Portugal, na exposição Leminski Múltiplo na cidade do Porto, a partir de 23 de abril, marcando ao mesmo tempo o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, e também os 50 anos da publicação de Catatau, considerado pelo próprio escritor a sua obra-prima.
Editado em 1975, Catatau tem Pernambuco como cenário, um “romance-ideia” segundo classificou Leminski, narrando em prosa poética as deambulações filosóficas do francês René Descartes numa fictícia visita ao Recife no início do século XVII, acompanhando a comitiva de Maurício de Nassau à então Mauritsstad, capital do Brasil-Holandês.
A exposição estará no Instituto Pernambuco-Porto, espécie de “embaixada” pernambucana em Portugal, inaugurada em 2022, que tem no calendário oficial de bailes de carnaval e arraiais juninos a oficinas de frevo, forró, percussão e outros eventos de divulgação da cultura do estado.
Com vista para o Rio Douro no campus da Universidade do Porto, o imponente prédio do Instituto faz jus à (injustificável) fama megalômana dos pernambucanos e abre uma de suas amplas salas para acolher os múltiplos Leminski, com direito a uma ala inteira dedicada ao seu Catatau, considerado ainda o livro inaugural de sua carreira literária.
“É uma obra emblemática na produção de Leminski, que dizia ser a vida bastante curta para se fazer outra igual. Serão exibidos manuscritos e outros elementos que ajudam a contextualizar a elaborada concepção do livro, que levou oito anos para ser escrito”, explica a curadora e produtora cultural Áurea Leminski, também filha do poeta.
No total, Leminski Múltiplo conta com cerca de 300 painéis e expõe em fotografias, objetos pessoais, reproduções de textos, dezenas de manuscritos, edições originais e projeções audiovisuais o intrincado e fascinante processo criativo de um dos grandes poetas brasileiros, morto em 1989, e que teve parte de sua obra gravada por grandes nomes da Música Popular Brasileira.
Será a quarta escala da exposição em Portugal desde 2020, após visitar Lisboa e Matosinhos, Braga. Mesmo condicionada pelos constantes lockdowns durante a pandemia na visita à capital portuguesa, atraiu mais de 2.5 mil visitantes. “Não só da comunidade brasileira, mas também de portugueses atraídos pela cultura do Brasil”, explica Áurea Leminski.
Leminski também foi devidamente apresentado aos leitores portugueses em 2020 através da publicação de sua obra poética completa pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda, a edição portuguesa originalmente editada no Brasil em 2013 e que vendeu quase 300 mil exemplares.
Ao todo, a exposição Leminski Múltiplo foi vista por 700 mil pessoas, número que certamente vai aumentar quando novamente estiver aberta ao público, a partir de 23 de abril, Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, estendendo-se até 25 de maio.
“Ao celebrar o Dia Mundial do Livro com a obra do meu pai, presenciar sua criação atravessar fronteiras e ser prestigiada fora do Brasil é uma verdadeira consagração de seu trabalho e trajetória. Contribuir para a difusão de sua produção no exterior é uma grande honra, como representante de seu legado e produtora cultural”, afirma Áurea Leminski.