Um livro para os cines de rua do Brasil e do mundo

O jornalista e fotógrafo Sergio Poroger registra cinemas de rua, com foco nos trabalhadores das salas de exibição, desde 2017

Sergio Poroger inaugura exposição na cidade de Fortaleza, em abril
Sergio Poroger inaugura exposição na cidade de Fortaleza, em abril

Cinema de rua do Recife e de Olinda é tema de pesquisa do jornalista e fotógrafo Sergio Poroger, de São Paulo. Ele visitará as duas cidades, no fim de abril de 2026, para documentar em fotos e vídeos tanto as salas de exibição abertas quanto as desativadas. A lista inclui o São Luiz e o Art-Palácio (fechado desde 1993), no Centro do Recife. E, em Olinda, o Cine Olinda e o Duarte Coelho, localizados no Sítio Histórico, sem funcionamento e sem previsão de reabertura.

As imagens captadas em Pernambuco vão compor um livro sobre cinemas de rua do Brasil e do mundo, que Sergio Poroger pretende lançar ainda este ano. “Tenho fotografias tiradas no Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo, Argentina, Estados Unidos, Holanda e Polônia”, informa o jornalista. “O projeto tem como foco os trabalhadores que fazem a magia das salas de cinema, eu fotografo os projecionistas, a pessoa que troca o letreiro, aquela que vende o bilhete e o pipoqueiro, além das fachadas e do interior dos prédios.”

Sergio Poroger iniciou o trabalho em 2017, nos EUA, com registros nas cidades de Nova Iorque, Wilmington  (Delaware e Carolina do Norte), Charleston (Carolina do Sul), Richmond (Virgínia), Jacksonville e Miami (Flórida). “Encontrei salas maravilhosas e bem preservadas nos EUA”, diz o pesquisador. Depois, ele seguiu para Amsterdam e Utrecht (Holanda), Rosário, Córdoba e Villa Elisa (interior da Argentina), Varsóvia e Cracóvia (Polônia). “Eu queria fazer algo diferente, impactante e que emocionasse as pessoas”, declara.

https://youtu.be/I79bOJZhEq8

Em Villa Elisa, o jornalista descobriu uma história singular. “A cidade só tinha um cinema, que estava desativado. Um morador, inconformado, construiu um cinema na sala de estar da casa dele, aberto ao público”, relata. Esse personagem deu origem ao mini documentário Cine Paradiso. Na cidade de Santos (SP), ele conheceu o funcionário de um cine de orla, situado num calçadão do bairro Gonzaga, que “foi deixado de lado” com a mudança do projetor de 35mm para o digital. “Ele virou entregador de ingressos, sabe tudo o que vai passar, recomenda filmes e conversa sobre roteiros e atores.”

O primeiro resultado do projeto de Sergio Poroger foi a exposição “Uma rua chamada cinema”, inaugurada em 2024, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. A mostra, atualizada, ficará em cartaz no MIS de Fortaleza (CE), de 15 de abril a meados de julho de 2026, com 26 imagens impressas e 10 projetadas, além da exibição de três mini documentários: Cine Paradiso, Cine Nazaré (cedido pelo jornal O Povo) e vídeo com depoimentos do jornalista e de antigos trabalhadores de cinemas de rua de Santos e São Roque (SP). “Minha ideia é levar a exposição para o Recife também”, avisa.