O escritor Maurício Melo Júnior lança neste sábado, dia 30, na Feira do Pacaembu, em São Paulo, seu novo romance,“O Tardio”; O livro transita em torno da história do personagem Sérgio, que abandona uma vida estável e se lança à estrada com um único propósito em mente: entender a morte do irmão, Roberto.
Entre feiras hippies, vilas de pescadores, cidades do interior, paisagens naturais e comunidades alternativas, o peregrino atravessa um Brasil fragmentado, onde o sonho de uma vida livre esbarra na realidade. A narrativa nos conduz a uma travessia que ultrapassa os traçados geográficos e desemboca no íntimo humano, revelando o confronto entre o desejo e seus limites e o que resta quando tudo parece perdido.
O próprio Maurício resume brevemente o livro: ele busca o que restou da contracultura, movimento que surgiu nos 1960 e que pregava novos paradigmas sobre liberdade, bem-estar, status, arte, um movimento que buscava fórmulas bem diversas da vida formal e burguesa dos anos 1950.
“A história gira em torno do advogado Sérgio, no ano 2000, que abandona tudo no Recife e sai em busca da história do irmão Roberto, que foi hippie nos anos 1970. Roberto foi assassinado em Pirenópolis (GO), mas antes, com a namorada Caliandra, percorreu os principais pontos da contracultura. Sérgio busca as verdades desse enredo e o que restou da contracultura.”, conta o autor.
No início da narrativa, o autor traça uma coincidência propositalmente dramática: Sérgio nasceu no dia do sepultamento de Roberto, em Palmares. “Mas a história de Roberto sempre foi um tabu em sua família. Daí sua vontade de conhecê-la. Também havia a perspectiva da Era de Aquarius - uma das profecias hippies - nascer no ano 2000. Tudo isso o leva para a estrada. Durante três anos percorre um país que perdeu os sonhos e esperanças da contracultura.”, completa Maurício.
Além de questionar a busca por liberdade, os limites que nos confrontam, os segredos em torno do irmão, Maurício Melo Júnior desejava, principalmente, discorrer sobre a contracultura. “Não cheguei a viver a contracultura, mas sempre a admirei pelo desprendimento e o sentido de liberdade com que se implantou. Na minha adolescência vi muitos hippies chegarem em Palmares (Pernambuco), onde vivia. Inclusive, conto no livro uma sessão de cinema, onde foi projetado o documentário “Woodstock" e os hippies todos que estavam na cidade foram assistir. Mas não teve o final o tumultuado que conto no livro.”, conta.
Maurício admite guardar um fascínio pela contracultura, que se alastrou pelo mundo após ganhar visibilidade com os jovens norte-americanos que lutavam pelo fim da Guerra do Vietnã, pela paz e o amor, pelo fim das convenções . “Na adolescência cheguei a aprender artesanatos com uma irmã. Mas a origem do romance se deu de uma maneira inusitada. Há cerca de quinze anos, numa fila de banco, vi um rapaz vestido como se fosse um hippie: chinelo de couro, bata indiana, calça de flanela, colar com símbolo de paz e amor. Pensei: esse rapaz está atrasado, é um tardio. Daí procurei inventar uma história para ele.”, revela o autor.
Além do lançamento em São Paulo, neste sábado, Maurício tem dois outros de “O tardio” previstos: em Brasília, no dia 10 de junho e durante a Flipelô - Festa Literária do Pelourinho, em Salvador, entre os dias 6 e 9 de agosto.
Escritor, jornalista, crítico literário e documentarista, Mauricio tem mais de 20 livros publicados e participou de várias antologias de contos. Tem duas peças teatrais encenadas. Apresenta o programa Leituras na TV Senado. Escreve para o jornal Rascunho, de Curitiba (PR), e para a revista Pernambuco, do Recife (PE). Curador da Feira do Livro de Brasília em 2018 e 2019 e das Festas Literárias de Pirenópolis (GO) e Penedo (AL). Presidiu o Instituto Cultural Casa de Autores entre 2020 e 2025.
Serviço
Lançamento de “O tardio”
Editora Rua do Sabão
R$ 68,90
Dia: 30 de maio
Horário: 14h
Local: Feira do Pacaembu - Praça Charles Miller
São Paulo - SP