ABL faz homenagem ao centenário de Carlos Heitor Cony

Palestra sobre o autor será proferida nesta terça, 26, pelo também acadêmico Ruy Castro, que era amigo próximo de Cony

Carlos Heitor Cony afirmava que escrever era destino e não vocação. “Escrevo por prazer e acho que ninguém deve ler se não for por prazer”.
Carlos Heitor Cony afirmava que escrever era destino e não vocação. “Escrevo por prazer e acho que ninguém deve ler se não for por prazer”.

Nesta terça-feira, dia 26, a Academia Brasileira de Letras promove uma homenagem ao acadêmico Carlos Heitor Cony - que completaria 100 anos em 2026. O também acadêmico e escritor Ruy Castro falará sobre Cony na última conferência do ciclo “Meio século de Literatura brasileira". O evento terá início às 16h, sob a coordenação da acadêmica e escritora Rosiska Darcy. A entrada é franca. A palestra é gratuita, e as inscrições estão abertas no link: https://www.even3.com.br/e/centenario-de-carlos-heitor-cony-729574 até esta terça-feira.

Ruy Castro é escritor, com mais de 50 livros publicados entre biografias, reconstituições históricas, romances e traduções, e jornalista, ligado desde 1967 aos principais órgãos da imprensa carioca e paulistana.  Ele era amigo próximo de Carlos Heitor Cony, que foi um dos nomes mais importantes da literatura brasileira. Cony screveu contos, romances, crônicas, e foi também tradutor. Em 2000, tomou posse da cadeira de número 3 da Academia Brasileira de Letras. Morreu com 91 anos no Rio de Janeiro. A conferência realizada por Ruy Castro também será transmitida no Youtube da ABL:  htps://www.youtube.com/live/0wvjj05i2qM?si=qy9UvHcgPqOqzZ-

Cony só aprendeu a falar aos 15 anos, mesmo assim trocando as palavras, o que o tornava motivo de zombaria. E ele percebeu, a uma certa altura, que na escrita as palavras saiam certas, e foi nela que se refugiou. “Quando escrevia não zombavam de mim, porque eu escrevia certo”, ele contava. A dificuldade na fala acabou ditando o destino de Cony. “Escrever era destino, e não vocação”. Mas antes de se dedicar às letras, entrou para o seminário, para satisfazer o desejo da mãe.

Aos 21 anos largou a batina para cursar Filosofia, que depois abandonou. Trabalhou no Jornal do Brasil para ajudar o pai, que era jornalista e acabou ficando. Mas já tinha decidido que queria ser escritor. Aos 32, em 1958, publicou o primeiro livro,"O Ventre, e depois Pilatos", que considerou seu livro definitivo. Ele dizia que seus livros poderiam ter sido escritos por qualquer outra pessoa, mas Pilatos só ele poderia ter escrito.

Duas décadas mais tarde, em 1995, escreveu “Quase memória”, uma homenagem ao pai. Escreveu 17 romances, contos, crônicas e adaptações. É autor de três livros sobre Juscelino Kubitschek. Ganhou quatro Jabutis e o Machado de Assis da ABL em 1996, pelo conjunto da obra.  Lutou contra o regime militar, foi perseguido e preso seis vezes.Teve uma coluna na Folha de S.Paulo e fazia comentários na rádio CBN. “Escrevo por prazer e acho que ninguém deve ler se não for por prazer”.