Abelardo Jurema Filho lança livro de memórias

Cesário Alvim, 27 – Histórias do filho de um exilado traz textos leves,. São crônicas tão empáticas que o leitor sente o sabor da familiaridade a cada frase

O jornalista Abelardo Jurema lança, hoje, o seu livro Cesário Alvim, 27 – Histórias do filho de um exilado. Será, às 18h, na Livraria do Luiz, no Mag Shopping, em João Pessoa, Paraíba.

O título parece cifrado, mas é, na verdade, autoexplicativo. O exilado foi Abelardo Jurema (1914-1999), pai do autor. O endereço é o da sua casa no Rio de Janeiro. O exílio foi uma consequência áspera e dura do golpe militar de 1964. Um dos primeiros a sofrer com os atos institucionais, que foram instrumentos de perseguição forjados pela ditadura, e que cassou mandatos e mandou políticos indesejáveis para fora do país. Dez anos depois, ele regressou ao Brasil.

Entre as publicações de Jurema há uma dedicada ao exílio. A maioria delas tem temática política. No entanto, o autor foi também jornalista e escritor. Durante o tempo em que morou no Recife - onde estuou no Colégio Oswaldo Cruz e na Faculdade de Direito do Recife -, ele desenvolveu uma importante colaboração no Diario de Pernambuco, e outros periódicos.

Seguindo a vocação do pai nas letras, Jurema Filho é escritor, é jornalista. Suas memórias são traduzidas de maneira leve nesse livro. Como se cada breve retrato de tempo, acontecimento e convívio humano pudesse – e é – cronicamente traduzido. Marcado pela diversidade temática. Desde “Copacabana” ao “Orgulho do trabalho”; da “Mãe coragem” a “O pai na cabeceira”. Crônicas tão empáticas que o leitor sente o sabor da familiaridade a cada frase, como se ao contar um pouco de sua história, Abelardo Jurema Filho tocasse aquela fibra de sentimento que faz da comunicação uma forma de comunhão.

O pai sentiu, certamente, aquilo que disse Edward Said: “os exilados são sempre excêntricos que sentem sua diferença (ainda quando a superem com frequência) como uma espécie de orfandade". Mas o filho, por sua vez, também com Said, sabe que “ver um poeta no exílio - em contraposição a ler a poesia do exilado - é ver as antinomias do exílio personificadas e suportadas com uma intensidade única." Com este livro Cesário Alvim, 27 o exílio foi vencido, e triunfou a alegria, – a prova dos nove, como disse um poeta – em forma de relatos de sabor conhecido, como o pão de cada dia.