Washington, D.C., a tecnologia e a natureza

Nossa região foi atingida por um tornado, que levou árvores a bloquearem as ruas e nos deixou sem luz

Em Washington, o que nos aconteceu de mais importante foi o nascimento de nossa segunda filha: Elisa Wouk Almino. Nasceu já quase usando o mouse e, com poucos anos, escrevia histórias num programa de computador.

Em 1990, estavam ainda para vir as revoluções maiores para o uso dos computadores pessoais.

Coloquei na calçada como lixo meu primeiro computador, um Kaypro, que importei dos EUA para o México em 1982, quando li que era uma espécie de Rolls-Royce. Duraria a vida inteira. Tinha uma estrutura pesada de ferro e uma tela minúscula. Memória de 64K. O processador de textos exigia quatro comandos para se colocar um acento. Ainda funcionava, mas, com essa tecnologia, somente serviria para ser exibido numa exposição de arte dentro de uma redoma de vidro. Foi o que vi no Museu de Arte Moderna de São Francisco dois anos depois.

Enquanto isso, havia um assunto quente: fogo na Amazônia. Fui convidado para apresentar um paper ao qual dei o título de A burning issue. A novidade não eram as queimadas e, sim, a tecnologia, que permitiu pela primeira vez que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais detectasse 2.000 focos de incêndio num único dia. Sem qualquer credencial científica para isso, fui designado o delegado brasileiro à primeira reunião do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a principal referência para a avaliação científica das mudanças climáticas.

A natureza entrou na minha pesquisa. Com o recurso ao catálogo já em rede nos computadores da Biblioteca do Congresso, cruzei três assuntos: ecologia/meio-ambiente; relações internacionais e filosofia. Havia milhões de livros sobre esses temas e nenhum como resultado do cruzamento. Retirando do exercício as relações internacionais, cerca de 200 artigos, que aproveitei para meu livro Naturezas mortas, a filosofia política do ecologismo.

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