“Tudo tem uma pitada de humor”

O desafio de produzir um conto ou mais por semana leva a autora a escrever onde estiver. Há “sucata de computador, em cada cômodo” da casa onde ela mora

Ao concluir a leitura de Recapitulações, a curiosidade crítica despertou o desejo de querer ouvir a autora. As perguntas que o livro provoca sobre leitura, reescrita, humor, política e prazer narrativo, me levaram a entrevistar Maria Valéria Rezende. A conversa, a seguir, busca prolongar o diálogo que as narrativas estabelecem.

Seu novo livro reúne 12 narrativas que dialogam com autores consagrados, de Machado de Assis a Kafka e Drummond. Como nasceu a ideia de Recapitulações? Foi algo planejado desde o início ou um acúmulo de exercícios ao longo de sua vida de leitura e escrita?
Não, não foi um livro planejado de início, não. Eu escrevo, no mínimo, um conto por semana por causa do desafio do nosso querido e longevo Clube do Conto daqui da Paraíba. E toda semana a gente é desafiada a escrever um conto. Às vezes, durante a semana eu escrevo outros. Como eu tenho uma sucata de computador em cada cômodo de casa,  escrevo onde eu estiver. Então, às vezes, os contos ficam perdidos por aí.
Algumas vezes, eu faço uma busca, uma limpeza. Aí fui encontrando vários contos desses que se referiam a outros escritores ou recontando a história que eles tinham contado ou fazendo dos outros escritores personagens dos meus contos, enfim. Então, eu pensei: “Isso dá um livro!”. Um ou outro desses contos foi publicado antes em alguma revista, em algum blog, alguma coisa de alguém assim, mas a maioria estava inédita. Então, eu falei: “Pronto, isso dá um livro até divertido”. E fui juntando. A Editora 34, me pediu um livro... estava insistindo que queria publicar um livro meu. A princípio, o título, dado por mim, seria Tudo é plágio. Mas depois a editora escolheu Recapitulações.

CONTEÚDO NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO IMPRESSA

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