UFPE promove mesa sobre Islã na África e nas diásporas atlânticas

O debate contará com a participação de Bruno R. Véras, professor Universidade de Toronto, e Mourtala Issifou, residente no Norte do Benin

Bruno R. Véras e Mourtala Issifou participam da mesa Islã na África e nas Diásporas: Intercessões religiosas entre o Brasil e Norte do Benin. Foto: Divulgação
Bruno R. Véras e Mourtala Issifou participam da mesa Islã na África e nas Diásporas: Intercessões religiosas entre o Brasil e Norte do Benin. Foto: Divulgação

A trajetória de Mahommah Gardo Baquaqua, africano muçulmano letrado originário da atual República do Benin, capturado e traficado para o Brasil no século XIX, é o ponto de partida para a mesa Islã na África e nas Diásporas: Intercessões religiosas entre o Brasil e o Norte do Benin”, realizada pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco. O encontro ocorre nesta quinta-feira (23), às 16h, na sala 30, 3º andar.

Capa da autobiografia de Mahommah Gardo Baquaqua. Foto: Domínio público

O debate contará com a participação de Bruno R. Véras, professor-assistente no Departmento de Inglês e Teatro da Universidade de Toronto, e Mourtala Issifou, residente no Norte do Benin e doutor em Ciências Contábeis pela Universidade de Brasília (UnB).

O encontro propõe uma reflexão sobre a história do Islã no Brasil escravista em suas conexões atlânticas com a África, destacando as circulações religiosas, culturais e intelectuais entre o Brasil e o Norte do Benin. Mahommah Gardo Baquaqua conseguiu escapar do regime de escravidão e fugiu para Nova York, tendo reconstruído sua vida em diferentes países do Atlântico. Ele deixou uma rara biografia, entitulada An interesting narrative. Biography of  Mahommah G. Baquaqua (“Uma interessante narrativa: biografia de Mahommah G. Baquaqua”, em tradução livre), publicada em Chicago, em 1854, durante a campanha abolicionista norte-americana.

A história Baquaqua serve de trilha para pensar mobilidade, escravidão, letramento, identidade religiosa e as formas pelas quais africanos muçulmanos preservaram e adaptaram sua fé em contextos diversos. Bruno R. Véras é especialista em diáspora africana, religião e escravidão no Brasil. Sua pesquisa conecta história, humanidades digitais e memória, com foco no Islã e nas circulações atlânticas. Mourtala Issifou atua como Malam e sacerdote de Ifá, articulando saberes formais e tradições africanas de conhecimento. Sua presença amplia o debate sobre religião, cosmologias africanas e diáspora, especialmente nas interfaces entre Islã e sistemas religiosos locais.

O evento integra a programação acadêmica da UFPE e busca aproximar perspectivas históricas e contemporâneas sobre o papel do Islã nas experiências africanas e afro-diaspóricas.