Guarde bem este nome: Samanta Schweblin. Ela se tornou uma escritora milionária. Mais do que isso: conquistou um feito inédito. Com o livro O bom mal (publicado no Brasil pela Fósforo, em 2025), a escritora argentina venceu a primeira edição do Prêmio Aena de Narrativa Latino-Americana, concedido pela companhia de administração aeroportuária espanhola.
O feito é relevante por igualar o valor de 1 milhão de euros pagos pelos prêmios Nobel de Literatura (da Academia Sueca), Planeta de Romance (concedido pela editora homônima da Espanha) e Million’s Poet (para poesia em árabe, dos Emirados Árabes Unidos).
Também é relevante dizer que a obra vencedora é uma coletânea de contos e desbancou os quatro romances concorrentes à final: A nossa hora, de Héctor Abad Faciolince; Marciano, de Nona Fernandéz, Los ilusionistas, de Marcos Giralt Torrente, e Cânone de câmara escura, de Enrique Vila-Matas. Cada finalista recebeu um prêmio de consolação de 30 mil euros.
Samantha Scheblin tem uma trajetória vitoriosa em prêmios literários. Já na sua estreia o livro de contos El núcleo del disturbio (2002) ganhou o primeiro lugar no prêmio argentino do Fundo Nacional de Artes e o conto Hacia la alegre civilización de la capital obteve conquistou o primeiro lugar no Concurso Nacional Haroldo Conti. Seu primeiro prêmio internacional foi o da Casa de las Américas, de 2008 com o livro de contos Pájaros em la boca. Mais recentemente, Siete casas vacías ganhou o National Book Award for Translated Literature de 2022, pela versão feita para o inglês por Megan McDowell. A revista Granta a escolheu como uma das 22 melhores jovens escritoras de língua espanhola.
Nascida em 1978, em Buenos Aires, durante a ditadura militar argentina, em Buenos Aires, Samanta Schweblin vive em Berlim de 2012. Sua literatura é marcada pelo estranhamento, o assombro e reviravoltas perturbadoras. por sua visão da realidade contemporânea e a voz que dá aos seus personagens vulneráveis. Sobra a obra de Samanta Scheblin, escreveu um dos finalistas do Prêmio Aena, o espanhol Enrique Vila-Matas: “O assombro nos deixa desarmados diante de algo que supúnhamos familiar e que em um instante passa a parecer absolutamente novo. A experiência de ler a grande Schweblin produz esse movimento. Há um antes e um depois, e uma lembrança de algo que nunca nos deixará.”
Leia entrevista com Samanta Schweblin concedida a Pernambuco em 2022