A aventura matemática de Malba Tahan

Malba Tahan, é o pseudônimo do professor de matemática, engenheiro e escritor brasileiro, Júlio César de Mello Souza, nascido no Rio de Janeiro, no dia 6 de maio de 1895. Produziu 69 livros de contos e 51 de matemática, é autor de mais de 15 livros sobre os costumes e lendas do povo árabe. Seu livro mais marcante  é “O Homem que Calculava”, um clássico brasileiro, já traduzido para o inglês e espanhol, mantém o valor pedagógico comum a toda a obra de Malba Tahan, que, sem perder o clima de aventura e romance da terra das mil e uma noites, ensina matemática por meio da ficção.

A matemática recreativa e contextualizada apresentada em ”O homem que calculava” é, certamente, menos dolorosa que a fria e doutoral ensinada nos colégios. Malba Tahan conseguiu realizar quase que um milagre, uma mágica: unir ciência e ficção e acertar. Seu talento e sua prodigiosa imaginação são capazes de criar personagens e situações de grande apelo popular, despertando curiosidade, desejo de aprender  e interesse pela matemática, em todos aqueles que leram suas obras, o que explica seu imenso sucesso.   

Em sua homenagem foi instituído o Dia da Matemática. Este dia é uma data há tempos comemorada informalmente pela Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM). Essa comemoração é feita a cada 6 de maio. Devido ao seu fascínio pelo mundo dos números e das letras, tornou-se escritor.

Escrevia obras literárias e didáticas, oferecia palestras educativas, ministrava cursos. Mas raramente iremos encontrar o nome Júlio Cesar como autor de suas próprias obras literárias. Na verdade, a busca deve ser feita pelo nome de seu “alter ego”: Malba Tahan. 

Juntamente com Cecil Thiré (avô do ator homônimo), Euclides Roxo e Irene Albuquerque, dentre outros professores, participou do movimento de modernização do ensino da matemática no Brasil.

O livro “O homem que calculava”, o mais conhecido de Malba Tahan, é uma  oportunidade para os aficionados, e também iniciantes dos algarismos e jogos matemáticos, de se deliciarem com os vários capítulos lúdicos da obra. Tahan narra a história de Bereniz Samir, personagem principal do livro, um viajante com o dom intuitivo da matemática, manejando os números com a facilidade de um ilusionista. Problemas aparentemente sem solução tornam-se de uma transparente simplicidade quando expostos a ele. Gráficos facilitam ainda mais a leitura do livro. Uma pequena obra-prima da literatura infanto-juvenil. “O homem que calculava” é uma saborosa ficção juvenil que há décadas vem encantando leitores e prestando enorme serviço à divulgação da ciência, em geral, e da Matemática, em particular.

A CONTRIBUIÇÃO À PEDAGOGIA, EDUCAÇÃO E DIDÁTICA DA MATEMÁTICA

O ensino da Matemática era considerado um processo de transmissão de símbolos matemáticos, propriedades e técnicas, fórmulas e demonstrações de teoremas que culminavam na prática exarcebada de exercícios e problemas
puramente conteudistas, em que o estudante se tornava um depósito de informações. Partindo desse aspecto negativo, a partir do séc. XIX, matemáticos interessados pelo ensino de Matemática nas escolas iniciaram um movimento em defesa de um ensino articulado, em que a temática dos exercícios propostos aos alunos estivesse ligada a fatos cotidianos vivenciados pelos estudantes, tornando mais atraente o aprendizado, e consequentemente levando o aprendiz a perceber a importância destes conhecimentos em sua vida.

É nesta época que Malba Tahan percebe que o ensino da matemática aplicada deveria ser prioritário nos níveis hoje denominados fundamental e médio, deixando a cargo dos cursos superiores de bacharelado, e licenciatura em
matemática, a priorização do ensino da matemática pura. A matemática contextualizada e aplicada foi alvo da resistência de matemáticos  conservadores e ortodoxos. Malba Tahan estabeleceu uma didática própria, que buscava transformar a matemática em uma disciplina divertida. Investia em diferentes formas de ensinar, fugindo do tradicional modelo que utiliza fórmulas já determinadas. O autor colocava desafios matemáticos nos livros, aguçando a criatividade e incentivando a descoberta.

O objetivo desse movimento, ao qual pertencia Malba Tahan, era explicitar que o ensino da Matemática não está somente ligado à memorização de fórmulas, sentenças, propriedades e definições, e sim à capacidade de leitura e compreensão de textos. Essa nova maneira de ensino-aprendizado valoriza a experiência sociocultural do aluno, enfatizando os conhecimentos adquiridos durante o decorrer de seu amadurecimento. Os livros didáticos foram aos poucos se adequando ao novo modelo matemático, abordando textos de forma contextualizada e interdisciplinarizada, criando conexões com inúmeras situações cotidianas. Assim, o aluno obteve o privilégio de perceber a  amplitude do saber matemático, aumentando seu campo de conhecimento.

MORTE REPENTINA

Malba Tahan morreu no dia 18 de junho de 1974, vítima de um edema pulmonar agudo e trombose coronária, no Hotel Boa Viagem, no Recife.

Malba Tahan estava na capital pernambucana para dar um curso, sobre “A arte de contar histórias” e outro sobre “Jogos e Recreações no ensino da Matemática”, no Colégio Soares Dutra, a convite da Secretaria de Educação e Cultura.

Além do sucesso O homem que calculava, com mais de 100 edições, entre as mais de uma centena de obras que publicou, estão: Lendas do deserto, O livro de Aladin, Maktub, Matemática divertida e curiosa e A caixa do futuro.

Ednaldo Ernesto, 66 anos, é professor de matemática da rede privada de ensino em Recife há 46 anos. Possui bacharelado em Matemática pela UFPE e licenciatura plena em Matemática pela Funeso. Foi coordenador de matemática e professor dos Colégios Contato e Radier; e professor nos colégios Pio XII, Alpha, Cepreve, 2001, Objetivo PB, Boa Vista, Faculdade Esulda, Nossa Senhora do Carmo, Vera Cruz, Israelita Moisés Schwartz, Diocesano de Caruaru, União, Boa Viagem CBV, Santa Maria BV; além de Secretário Municipal de Educação, no período de 2017 a 2020, do município de Paudalho (PE). Atualmente é professor dos anos finais do Colégio Núcleo Jaqueira e Boa Viagem e Colégio Saber Viver.