A 13ª edição da Fliporto, que homenageia o escritor Raimundo Carrero e os 30 anos do disco Da Lama ao Caos, de Chico Science, chega ao seu último dia, neste domingo, 17 de novembro. Mas quem comparecer ao evento, que está sendo realizado no Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda, vai poder usufruir de muitas atrações, que começam a partir das 10h e seguem até às 19h.
A primeira delas é a conferência “A nova crítica literária no Brasil”, que será realizada por Ney Anderson e Jaqueline Fraga. À tarde, a partir das 14h30, nova rodada de debates. O primeiro será “A importância dos prêmios literários no Brasil”, conduzido por Henrique Rodrigues, com a participação de Izabella Cristo, ganhadora da primeira edição do Prêmio Caminhos Literários, que é parceiro da Fliporto. Isabella é autora do livro Mãezinha, que trata do drama de uma mãe na UTI com um filho prematuro.
Em seguida,o escritor Ronaldo Correia de Brito entrará em cena, comandando a palestra “As raízes do Brasil no romance Rio sangue”, que acaba de editar com a Alfaguara.
“Abordaremos de que maneira as mazelas de nossa conquista/colonização se perpetuaram até os dias atuais. Em Rio sangue, os indígenas que habitavam as terras originárias, os conquistadores portugueses e de outras origens e os africanos que chegaram escravizados, narram suas histórias, seus mitos, até se construir uma narrativa comum a todos eles, sem que isso signifique uma conciliação”, antecipa Ronaldo Correia de Brito.
O último debate do dia será conduzido pelo curador da Fliporto, o escritor Antônio Campos, que vai falar sobre o livro Resistir na era das incertezas, um olhar sobre o contemporâneo, de sua autoria.
Mangue, mangue, mangue
A pauta da Fliporto no sábado, 16, foi repleta de intensidade, com a presença da jornalista Lorena Calábria, do produtor Liminha, da DJ Vibra e de Goretti França, irmã de Francisco de Assis França, o nosso Chico Science.
Na abertura, Goretti lembrou de uma frase do irmão. “É de minha responsabilidade resgatar os ritmos da minha região. E eu fui além.”, contou a curadora do acervo de Chico, destacando que essa “profecia” foi feita antes dele alcançar a fama. “Ele falou isso em 1991, como quem já soubesse seu lugar”, comentou Goretti.
Lorena Calabria, autora da primeira biografia sobre o movimento mangue, com o livro Chico Science e Nação Zumbi - Da Lama ao Caos, relembrou o impacto que teve ao ouvir, pela primeira vez, a música de Chico. “Primeiro chegou a mim o disco e foi aquele baque. Era muito novo, muito forte, muito vibrante. Eu queria muito ver aquilo ao vivo. Foi quando ví o show e o impacto foi ainda maior”, relembra a jornalista, que passou mais de três anos pesquisando o material para produzir o trabalho.
Conhecido pela sua expertise, que remonta da época da banda Os Mutantes, o produtor musical Liminha também recorda o impacto que a música do pernambucano lhe provocou.
“Eu recebi a fita, pois a Sony me pediu para produzir o disco. E percebi que ali tinha um conceito, um estilo, uma coisa nova que eu não tinha ouvido ainda. Quando Chico apareceu, se viu a riqueza musical que nunca havia sido mostrada antes. Foi um som revolucionário, nenhuma outra banda conseguiu fazer algo parecido depois de Chico”, recorda Liminha, que complementou:
“Fui remasterizar o material em Los Angeles, Estados Unidos, e o engenheiro de som ficou impactado. Ele nunca tinha visto aquilo. Se eu ficasse produzindo só as bandas do Rio e São Paulo, jamais teria esta riqueza cultural. Um marco no meu currículo”, concluiu.
500 Anos de Camões
A última conferência do sábado trouxe o escritor português João Morgado. Ele abordou a sua última obra, O livro do império, uma biografia romanceada do autor de Os Lusíadas.
Para espanto dos presentes, Morgado contou que existem poucos documentos e fontes fidedignas sobre o autor, inclusive, a perda do seu olho direito não é um episódio cem por cento confirmado. Existem dúvidas se o fato ocorreu ou se foi interpretação dos seus biógrafos com base nos seus escritos.
“Pelos seus versos, se induz que deve ter estado em Ceuta, mas não sabemos como ficou sem o olho. Esse esvaziamento biográfico foi compensado pelas obras do próprio autor.”
Morgado lamentou, também, que o governo português não tenha comemorado os 500 anos de Camões, que é um símbolo nacional. E afirmou: “É um Camões esquecido, hoje em dia ninguém lê suas obras, citam sempre os mesmos versos - que são lidos de outros autores. Quando escrevi O Livro do Império foi para trazer um rosto mais humano de Camões”, explicou Morgado.
13ª Edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto)
De 14 a 17 de novembro
Mercado Eufrásio Barbosa, Largo do Varadouro , Varadouro, Olinda
Neste domingo abre de 10h às 19h